Introdução
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, uma operação militar coordenada pelos Estados Unidos contra a Venezuela marcou um dos momentos mais dramáticos das relações interamericanas. O ataque incluiu bombardeios, infiltração de forças especiais e a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, retirando-os do país e levando-os para Nova York, onde enfrentam acusações federais.
Essa ação militar unilateral desencadeou uma crise de proporções regionais e globais, com repercussões políticas, legais, diplomáticas e humanitárias — todas imersas em um ambiente de tensões geopolíticas que envolvem não apenas os Estados Unidos e a Venezuela, mas grandes potências como China, Rússia, Cuba, Irã e blocos regionais latino-americanos.
O presente artigo procura explicar com profundidade o que aconteceu, por que aconteceu, quem se beneficiou e quem foi afetado — desde a perspectiva geopolítica e legal até os efeitos sobre a população e a ordem internacional.
O contexto histórico e político anterior ao ataque
Relações entre EUA e Venezuela
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela já eram tensas antes de 2026. A Venezuela vinha sendo alvo de sanções econômicas desde 2019, primeiro por questões relacionadas a disputas eleitorais e, mais recentemente, por alegações de vínculos com narcotráfico e terrorismo, segundo a administração americana.
Nos anos que se seguiram, o governo venezuelano sob Maduro manteve uma aliança estreita com países como Cuba, Rússia e China, fortalecendo acordos econômicos e militares, e resistindo a pressões diplomáticas e econômicas de Washington.
O ataque de 3 de janeiro de 2026: o que aconteceu
Operação militar “Absolute Resolve”
Pouco antes das primeiras horas da madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar multitático contra múltiplos alvos em território venezuelano, nomeada pela administração americana como Operation Absolute Resolve.
A operação envolveu:
- 150 aeronaves de combate e apoio, lançadas a partir de cerca de 20 bases militares espalhadas pelo continente;
- Forças especiais de elite, incluindo unidades como Delta Force e o 160th SOAR;
- Bombardeios a instalações militares-chave, bases aéreas e centros de comando;
- Infiltração rápida e exfiltração de alvos de alto valor.
O ataque foi descrito como “cirúrgico” pelas autoridades dos EUA, com ordens explícitas para capturar Maduro e sua esposa e levá-los à Justiça federal americana por acusações de narcoterrorismo e outras práticas criminais.
Captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores
Conforme comunicado oficial da Casa Branca, Maduro e Cilia Flores foram detidos durante a operação e transportados para os Estados Unidos, onde enfrentam processos judiciais.
A administração americana declarou que a missão visava não apenas remover o líder venezuelano do poder, mas também iniciar um processo de transição política e estabilização econômica do país — incluindo um suposto acordo de venda de petróleo venezolano aos EUA, envolvendo entre 30 e 50 milhões de barris a preços de mercado.
Alvos e danos materiais
Foram atingidas diversas infraestruturas militares e logísticas, incluindo:
- Bases aéreas e instalações do exército em Caracas;
- Quartéis e aeroportos;
- Instalações de comando;
- Distritos que perderam eletricidade como resultado dos ataques.
Vítimas humanas e impacto imediato
Mortes e feridos
Fontes oficiais e reportagem do The New York Times estimam que a operação resultou em cerca de 80 mortes entre militares venezuelanos e civis, incluindo pelo menos 32 militares cubanos que estariam no país em missão.
Do lado americano, fontes indicam que houve ferimentos em sete soldados, mas sem fatalidades relatadas, trazendo à tona a assimetria de custos humanos na operação.
Reação venezuelana
O governo venezuelano declarou sete dias de luto nacional em resposta ao ataque e às mortes de seus militares, considerando a ação americana uma violação da soberania nacional.
Organizações paramilitares alinhadas ao antigo regime, como os chamados “coletivos”, rapidamente se mobilizaram em Caracas para suprimir qualquer apoio à intervenção e manter o controle interno, intensificando um clima de medo e instabilidade urbana.
O saldo social desse deslocamento de poder também incluiu prisões de cidadãos por celebrarem a captura de Maduro, no âmbito de decretos internos sobre estado de comoção que restringem liberdades civis.
Reações internacionais: apoio e condenação
Conduta de potências globais
Ações dos EUA geraram forte reação internacional:
- China repeliu o ataque como uma grave violação de soberania, destacando sua preocupação com o papel americano na região.
- Irã também condenou o ataque como ato de agressão e violação do direito internacional.
- Rússia criticou a operação como intervencionismo ocidental e apoio indireto à mudança forçada de regime.
Outros países latino-americanos, incluindo Brasil, Chile, México e Espanha, publicamente denunciaram a ação como uma afronta à soberania e defenderam desescalonamento e respeito ao direito internacional.
Organizações e direito internacional
Especialistas em direito internacional caracterizaram a operação como potencialmente ilegal e um crime de agressão por violar a Carta das Nações Unidas e os princípios de soberania estatal, observando que não houve autorização do Conselho de Segurança da ONU nem justificativa plausível de legítima defesa.
A ONU e organizações de direitos humanos manifestaram preocupação com o precedente perigoso que tal ação unilateral poderia estabelecer para a ordem global.
Debates internos nos Estados Unidos
Nos EUA, a operação gerou debates intensos:
- Uma pesquisa mostrou discordância significativa entre a população norte-americana sobre a operação, com aproximadamente 33% aprovando e 34% desaprovando, enquanto outros ainda se mostraram indecisos.
- Parlamentares democratas e ligados à fiscalização de poderes argumentaram que o presidente agiu sem autorização do Congresso, fomentando pedidos de processo de impeachment por ação militar não autorizada e declaração de guerra sem respaldo legislativo.
Esse debate sobre os War Powers tornou-se central na política interna americana, destacando a tensão entre execuçãomilitar e controle constitucional sobre conflitos armados.
Motivações e objetivos declarados
Narrativas oficiais americanas
A administração americana justificou o ataque como uma operação para remover um líder acusado de narcoterrorismo e corrupção, defender a democracia e enfrentar ameaças à segurança internacional — alinhando a ação a políticas antinarcóticos e direitos humanos.
Além disso, autoridades americanas mencionaram interesse estratégico em energia: a exploração de reservas de petróleo venezuelanas, vastas e algumas das maiores conhecidas no planeta, foi citado como fator indireto de interesse geopolítico.
Perspectivas críticas
Críticos, incluindo acadêmicos, diplomatas e governos estrangeiros, interpretam o ataque como um exemplo clássico de intervencionismo militar motivado por interesses estratégicos e econômicos, em particular no controle de recursos naturais e influência regional, levantando preocupações sobre imperialismo moderno.
Consequências regionais e geopolíticas
Instabilidade política na Venezuela
Com Maduro detido, o Supremo Tribunal venezuelano declarou Delcy Rodríguez como presidente interina, mas o país rapidamente mergulhou em incertezas políticas, com múltiplas forças armadas, milícias e fragmentações internas competindo por controle.
Segurança regional e reflexos diplomáticos
Países vizinhos, como Colômbia, reforçaram suas fronteiras em resposta à instabilidade e ao risco de fluxo de refugiados. A operação elevou tensões diplomáticas nas Américas e reabriu debates sobre soberania e intervenção regional.
Perspectiva histórica e implicações de longo prazo
O ataque americano à Venezuela em 3 de janeiro de 2026 representa um dos eventos mais disruptivos das últimas décadas na América Latina. Ele pode marcar um ponto de inflexão nas normas de não-intervenção e soberania, retornando a um padrão de intervenção militar pós–Guerra Fria raramente visto no Hemisfério Ocidental.
Historiadores, juristas e analistas de relações internacionais apontam que a repercussão desse evento será medida não apenas pelo seu impacto imediato, mas por como ele redefine:
- a legitimidade do uso da força entre Estados;
- a relação entre grandes potências e nações periféricas;
- os mecanismos de governança global e regional.
Conclusão
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela na madrugada de 3 de janeiro de 2026 representa um choque dramático na política internacional do século XXI. A operação não foi apenas um evento militar, mas um ponto de convergência de questões de soberania, direito internacional, interesses geopolíticos e tensões regionais profundas. Sua execução — incluindo a captura de um presidente em exercício — e suas consequências levantam questões fundamentais sobre o equilíbrio entre segurança, legalidade e ética nas relações entre Estados.
As reações contrastantes ao ataque — tanto internas nos EUA quanto internacionais — refletem um mundo dividido sobre a legitimidade de intervenções unilaterais e sobre o papel dos Estados Unidos como potência global. Enquanto alguns veem a ação como uma medida necessária contra um regime autoritário, outros alertam para os perigos de violar princípios fundamentais que sustentam a ordem internacional desde 1945.