Introdução
A Filosofia é uma disciplina essencial no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), pois estimula a reflexão crítica, o raciocínio lógico e a capacidade de interpretar textos complexos. Diferente de outras áreas, a prova de Filosofia não cobra fórmulas ou decorebas — ela avalia a capacidade de pensar, argumentar e compreender ideias que moldaram o pensamento ocidental.
Embora pareça ampla, a Filosofia no ENEM se organiza em temas recorrentes. Ao longo dos anos, os examinadores têm priorizado determinados períodos, autores e correntes filosóficas que tratam de questões éticas, políticas, existenciais e epistemológicas.

Neste artigo, você vai conhecer os 10 conteúdos de Filosofia que mais caem no ENEM, em ordem de frequência, com explicações, principais conceitos e tópicos essenciais para dominar cada um deles.
1. Filosofia Antiga (23,3%)
A Filosofia Antiga é o conteúdo mais cobrado no ENEM. Ela corresponde ao período que vai do século VI a.C. até o século V d.C., surgindo na Grécia Antiga com o objetivo de explicar o mundo por meio da razão, e não mais dos mitos.
Principais temas e autores:
A Filosofia Antiga é dividida em três fases principais:
a) Pré-Socráticos
Os primeiros filósofos, conhecidos como filósofos da physis, buscavam compreender a origem de todas as coisas (o arché).
- Tales de Mileto: acreditava que a água era o princípio de tudo.
- Anaxímenes: via o ar como origem.
- Heráclito: tudo está em constante mudança (“ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”).
- Parmênides: defendia o ser como algo imutável.
Essas discussões deram origem ao pensamento racional e à busca por fundamentos lógicos da natureza.
b) Sócrates
Considerado o “pai da ética”, Sócrates deslocou a preocupação filosófica da natureza para o homem e a moral.
Seu método era o maiêutico — o diálogo que leva o interlocutor a descobrir a verdade por si mesmo.
- Frase marcante: “Conhece-te a ti mesmo.”
- Temas principais: virtude, autoconhecimento, ética e sabedoria.
c) Platão e Aristóteles
- Platão: acreditava no mundo das Ideias — realidades perfeitas e imutáveis. Para ele, o conhecimento verdadeiro está nas ideias e não no mundo sensível.
- Obra: A República
- Tópicos importantes: teoria das ideias, alegoria da caverna, justiça e política.
- Aristóteles: valorizava a observação do mundo real e a lógica como base do conhecimento.
2. Filosofia Moderna (16,7%)
A Filosofia Moderna (séculos XV a XVIII) surge no contexto do Renascimento e da Revolução Científica, marcada pela busca pela razão e pela autonomia do sujeito. É o período em que o pensamento humano se volta para a razão, ciência e liberdade.
Principais temas e autores:
a) Racionalismo
- René Descartes: “Penso, logo existo.”
Defende que o conhecimento verdadeiro vem da razão, não dos sentidos. - Ideias centrais: dúvida metódica, sujeito pensante e busca pela verdade universal.
b) Empirismo
- John Locke, Francis Bacon e David Hume: acreditam que o conhecimento nasce da experiência sensorial.
- Locke dizia que a mente é uma “tábula rasa” preenchida pelas experiências.
c) Iluminismo
Movimento filosófico que influenciou revoluções políticas e sociais.
- Montesquieu: separação dos poderes.
- Voltaire: liberdade de expressão e tolerância.
- Rousseau: contrato social e soberania popular.
Essas ideias influenciam até hoje as democracias modernas e são frequentemente cobradas nas questões sobre razão, liberdade e justiça.
3. Áreas da Filosofia (15%)
A Filosofia é dividida em grandes áreas de estudo, e o ENEM costuma cobrar a compreensão de cada uma delas e suas aplicações.
Principais áreas:
a) Ética
Estuda o comportamento humano e o que é “bem” ou “mal”.
- Questões comuns: o que é agir moralmente? Existe uma moral universal?
b) Epistemologia
Reflete sobre o conhecimento — como ele é adquirido, validado e transmitido.
- Descartes, Kant e Hume são referências nesse campo.
c) Estética
Estuda a beleza e a arte, discutindo o papel da sensibilidade e da criatividade.
- Questões sobre cultura, arte e gosto costumam aparecer com textos de Kant ou Nietzsche.
d) Política
Analisa a organização das sociedades, as leis e o poder.
- Autores centrais: Platão, Aristóteles, Hobbes, Locke, Rousseau e Marx.
e) Metafísica
Busca compreender o ser, a existência e o que está além da realidade física.
- Muito explorada por Aristóteles e pelos filósofos medievais.
4. Mal e Justiça (11,7%)
Esse tema aparece em questões que tratam de ética, moral e responsabilidade.
O ENEM costuma apresentar textos filosóficos seguidos de situações práticas para que o estudante interprete como diferentes filósofos explicariam o mal e a justiça.
Conceitos importantes:
- Platão: a justiça é a harmonia entre as partes da alma e da sociedade.
- Aristóteles: a virtude é o meio-termo entre excessos.
- Agostinho: o mal é ausência do bem, e não uma força autônoma.
- Kant: a justiça vem do cumprimento do dever moral, baseado na razão.
- Nietzsche: critica a moral tradicional e propõe uma nova forma de pensar o bem e o mal.
Tópicos que costumam aparecer:
- O problema do mal e a liberdade humana;
- Justiça social e igualdade;
- A ética do dever (Kant) e a ética das virtudes (Aristóteles).
5. Filosofia Política (6,7%)
A Filosofia Política reflete sobre as relações de poder, o papel do Estado e os direitos individuais.
No ENEM, as questões geralmente apresentam textos sobre contrato social, liberdade e democracia.
Principais autores e ideias:
- Thomas Hobbes: o homem é egoísta por natureza; o Estado forte (Leviatã) garante a ordem.
- John Locke: defende a propriedade e os direitos naturais (vida, liberdade e bens).
- Jean-Jacques Rousseau: o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe; defende o poder coletivo do povo.
- Karl Marx: critica a desigualdade e o poder econômico, propondo uma sociedade sem classes.
Esses pensadores aparecem em perguntas sobre poder político, justiça, cidadania e participação popular.
6. Existencialismo (6,7%)
O Existencialismo é uma corrente que surge no século XX e se concentra na liberdade, na angústia e na responsabilidade individual.
Principais filósofos e ideias:
- Jean-Paul Sartre: “O homem está condenado a ser livre.”
- A existência vem antes da essência — somos responsáveis por dar sentido à nossa vida.
- Simone de Beauvoir: aborda a condição feminina e o existencialismo aplicado à ética.
- Albert Camus: fala sobre o absurdo da vida e a busca por sentido.
O ENEM costuma usar textos existencialistas para discutir temas como liberdade, escolha e autenticidade.
Tópicos cobrados:
- A angústia existencial;
- Liberdade e responsabilidade;
- A busca por sentido na vida.
7. Filosofia Medieval (5,0%)
A Filosofia Medieval (séculos V a XV) buscou conciliar fé e razão, tendo forte influência do cristianismo.
Principais autores:
- Santo Agostinho: influenciado por Platão, defendia que o conhecimento verdadeiro vem de Deus.
- Tema recorrente: o livre-arbítrio e o problema do mal.
- São Tomás de Aquino: influenciado por Aristóteles, defende que fé e razão se complementam.
- Obra: Suma Teológica.
O ENEM costuma cobrar esse período em questões que tratam da relação entre religião, moral e racionalidade.
8. Filosofia Alemã (5,0%)
A Filosofia Alemã é um dos pilares do pensamento moderno e contemporâneo. Ela é caracterizada por autores que buscaram compreender a razão, a moral e a história.
Principais filósofos e conceitos:
- Immanuel Kant: ética do dever, autonomia da razão e crítica à metafísica.
- Georg Hegel: dialética e a ideia de que a história é o processo do Espírito se realizando.
- Karl Marx: desenvolve uma crítica à sociedade capitalista com base na dialética hegeliana.
- Nietzsche: propõe a transvaloração dos valores e o “além-do-homem” (Übermensch).
Tópicos cobrados:
- A razão prática de Kant;
- A dialética histórica de Hegel e Marx;
- A crítica aos valores tradicionais em Nietzsche.
9. Questões Filosóficas da Contemporaneidade (3,3%)
Por fim, o ENEM também traz temas da Filosofia Contemporânea, que discute os desafios atuais da sociedade, da ciência e da tecnologia.
Tópicos mais cobrados:
- Ética aplicada (bioética, meio ambiente, tecnologia e responsabilidade social);
- Críticas ao consumismo e à alienação;
- Pensamento pós-moderno (Michel Foucault, Jean Baudrillard e Zygmunt Bauman);
- O sujeito na era da informação.
Essas questões exigem interpretação crítica de textos e capacidade de relacionar teoria filosófica com problemas sociais atuais.
Conclusão
A prova de Filosofia do ENEM não exige que o candidato decore datas ou frases célebres, mas que entenda ideias e saiba aplicá-las em contextos reais.
Dominar os conteúdos mais frequentes — como Filosofia Antiga, Moderna, Ética e Política — é essencial para interpretar corretamente as questões e evitar confusões conceituais.
Mais do que isso, estudar Filosofia é exercitar o pensamento livre e crítico. É compreender o mundo e o papel que cada um de nós desempenha nele.
Como dizia Sócrates, “a vida não examinada não vale a pena ser vivida” — e o ENEM, de certo modo, é um teste dessa capacidade de examinar, questionar e compreender.
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